Ensaios de Segurança Elétrica em Eletrodomésticos: O Que o INMETRO Avalia
Quais ensaios de segurança elétrica o INMETRO exige para eletrodomésticos: IEC 60335, corrente de fuga, rigidez dielétrica, aquecimento e flamabilidade. Guia técnico completo.
8 de agosto de 2026 | Certificação INMETRO
IEC 60335-1 — A Norma Geral de Segurança Elétrica
A norma IEC 60335-1 (Segurança de aparelhos eletrodomésticos e similares — Parte 1: Requisitos gerais) é o fundamento técnico de toda certificação de segurança elétrica de eletrodomésticos no Brasil. Adotada pelo INMETRO como referência obrigatória, esta norma internacional estabelece os requisitos mínimos que qualquer eletrodoméstico deve atender.
A IEC 60335-1 cobre aspectos como proteção contra choque elétrico, aquecimento excessivo, riscos mecânicos e incêndio. Todos os ensaios laboratoriais realizados para certificação INMETRO de eletrodomésticos são baseados nesta norma e em suas partes complementares.
A ABCP, como Organismo de Certificação de Produtos (OCP nº 161), avalia os resultados dos ensaios conforme os critérios estabelecidos pela IEC 60335-1 e pelas partes específicas aplicáveis a cada categoria de produto.
Partes 2 — Normas Específicas por Produto
Além da norma geral (Parte 1), a série IEC 60335 possui dezenas de partes específicas (Parte 2-XX) que complementam os requisitos para cada tipo de eletrodoméstico:
| Norma | Produto | Portaria INMETRO |
|---|---|---|
| IEC 60335-2-3 | Ferros elétricos | Portaria 148/2022 |
| IEC 60335-2-6 | Fogões e fornos | Portaria 148/2022 |
| IEC 60335-2-9 | Torradeiras, grills, fornos elétricos portáteis | Portaria 148/2022 |
| IEC 60335-2-14 | Liquidificadores, processadores | Portaria 148/2022 |
| IEC 60335-2-15 | Aparelhos para aquecimento de líquidos (chaleiras) | Portaria 148/2022 |
| IEC 60335-2-24 | Refrigeradores e freezers | Portaria 148/2022 |
| IEC 60335-2-80 | Ventiladores | Portaria 299/2021 |
Cada parte 2 modifica ou complementa requisitos da parte 1 para atender às particularidades do produto. O laboratório aplica ambas as normas simultaneamente durante os ensaios.
Principais Ensaios Obrigatórios
Ensaio de Corrente de Fuga
O ensaio de corrente de fuga mede a quantidade de corrente elétrica que escapa do circuito normal do aparelho e pode atingir o usuário através da carcaça ou partes acessíveis. Este é um dos ensaios mais críticos de segurança.
O procedimento consiste em alimentar o aparelho em condição normal de operação e medir a corrente que flui entre partes acessíveis e o terra. Os limites máximos estabelecidos pela IEC 60335-1 são rigorosos: para aparelhos Classe I (com aterramento), a corrente de fuga não pode exceder 0,75 mA em condição normal e 3,5 mA em condição de primeira falha.
Aparelhos com isolamento duplo (Classe II) possuem limites ainda mais restritivos. O ensaio é repetido em diferentes condições de operação, incluindo máxima carga e temperaturas extremas.
Ensaio de Rigidez Dielétrica
O ensaio de rigidez dielétrica (também chamado de tensão suportável ou hipot test) verifica se o isolamento elétrico do aparelho suporta sobretensões sem romper. Uma tensão elevada é aplicada entre partes vivas e partes acessíveis por um período determinado.
Para aparelhos Classe I, a tensão de ensaio é tipicamente 1.000 V + 2x a tensão nominal. Para Classe II, o valor é ainda maior devido à ausência de aterramento. Durante o ensaio, não pode haver arco elétrico, centelhamento ou ruptura do isolamento.
Este ensaio simula condições extremas que podem ocorrer na rede elétrica, como surtos de tensão e descargas atmosféricas. Um isolamento que falha neste teste representa risco direto de choque elétrico ao usuário.
Ensaio de Aquecimento
O ensaio de aquecimento avalia se as temperaturas atingidas pelo aparelho durante operação normal e em condições anormais permanecem dentro dos limites seguros. Termopares são posicionados em diversos pontos do aparelho para monitorar temperaturas.
Os pontos de medição incluem: superfícies acessíveis ao toque, cabos de alimentação, terminais de conexão, isolamentos internos e componentes críticos como motores e transformadores. Cada ponto possui limites máximos específicos definidos na norma.
O aparelho é operado em carga máxima até atingir regime térmico estável (quando a temperatura não varia mais que 2°C por hora). Condições anormais, como bloqueio de ventilação ou sobrecarga, também são simuladas para avaliar a resposta do aparelho.
Proteção Contra Choque Elétrico
Este grupo de ensaios verifica se o usuário está adequadamente protegido contra contato com partes energizadas. Utiliza-se um dedo de prova padronizado (sonda articulada) para simular o acesso humano a partes internas do aparelho.
Os requisitos incluem: impossibilidade de contato com partes vivas através de aberturas na carcaça, proteção adequada de terminais de alimentação, isolamento de componentes acessíveis e resistência mecânica de barreiras de proteção.
Para aparelhos com partes removíveis pelo usuário (filtros, bandejas, reservatórios), a proteção deve ser mantida mesmo com essas partes removidas. O ensaio é realizado com o aparelho em todas as posições normais de uso.
Ensaio de Flamabilidade
O ensaio de flamabilidade avalia a resistência dos materiais do aparelho à ignição e propagação de chama. Um fio incandescente padronizado (glow wire test) é pressionado contra materiais isolantes e partes plásticas do aparelho.
A temperatura do fio incandescente varia conforme a localização da peça no aparelho: 550°C para peças que não sustentam partes vivas, 650°C para peças que sustentam partes vivas, e 750°C ou 850°C para peças em contato direto com partes energizadas.
O material é aprovado se não inflama ou se a chama se extingue em até 30 segundos após a remoção do fio. Qualquer gota incandescente que caia não pode inflamar um papel de seda posicionado abaixo do corpo de prova.
Como Funciona o Laboratório de Ensaios
Os ensaios de segurança elétrica são realizados em laboratórios acreditados pelo INMETRO (credenciados na Rede Brasileira de Laboratórios de Ensaio — RBLE). Esses laboratórios possuem equipamentos calibrados e pessoal técnico qualificado para executar cada ensaio conforme as normas aplicáveis.
O processo no laboratório segue etapas definidas: recebimento e inspeção visual das amostras, planejamento dos ensaios conforme normas aplicáveis, execução dos testes em sequência determinada, registro fotográfico e documental de cada etapa, e emissão do relatório de ensaios com resultados detalhados.
O prazo para conclusão dos ensaios depende da complexidade do produto e da carga de trabalho do laboratório — veja os fatores de cronograma na página de certificação INMETRO. Como OCP, a ABCP avalia os relatórios emitidos e comunica formalmente eventuais não conformidades ao solicitante.
Perguntas Frequentes
A ABCP Certificadora é um organismo de certificação de produtos compulsórios, acreditado pela Cgcre (Coordenação Geral de Acreditação — CGCRE/INMETRO) sob a acreditação nº 161, e designado pela ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações). Por meio do Ato nº 3873, de 31 de maio de 2021, a ANATEL designa a ABCP para certificar produtos de telecomunicações; e pelo número OCP nº 161, a ABCP é acreditada pela Cgcre/INMETRO para certificar produtos sob regimes compulsórios.
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