Produto reprovado em ensaio de certificação: o que acontece?
Um resultado não conforme não produz a mesma consequência em todas as situações. Na avaliação inicial, o solicitante pode analisar as causas, implementar ações corretivas e apresentar evidências ao OCP, que avalia se serão necessários novos ensaios, nova auditoria ou análise documental. Na manutenção de um certificado já emitido, a situação exige controles imediatos e pode resultar em suspensão ou cancelamento, conforme a gravidade e o tratamento da não conformidade.
O procedimento aplicável depende da etapa do processo, do modelo de certificação e do RAC do produto. O OCP comunica a não conformidade e avalia as evidências, mas a análise da causa e a definição da correção são responsabilidades do fornecedor.
O que o RGCP prevê para resultados não conformes
Os Requisitos Gerais de Certificação de Produtos, aprovados pela Portaria Inmetro nº 200/2021, separam o tratamento das não conformidades da avaliação inicial e da avaliação de manutenção.
Na avaliação inicial, o RGCP atribui ao solicitante a análise das causas, a proposição e a implementação das ações corretivas. O OCP avalia a eficácia das medidas e decide sobre a necessidade de novos ensaios, nova auditoria ou análise adicional. O certificado somente pode ser emitido quando houver evidência objetiva do tratamento das não conformidades.
Na manutenção, o produto já está certificado e pode estar no mercado. Por isso, o RGCP prevê plano de ações corretivas, controles imediatos na fábrica e consequências sobre o certificado quando a não conformidade não é tratada ou pode comprometer a segurança.
Fonte oficial: RGCP, Portaria Inmetro nº 200/2021, itens 6.2.5 e 6.3.3.
Reprovação durante a certificação inicial
Na certificação inicial, inclusive em processos conduzidos pelo Modelo 5, ainda não existe autorização decorrente daquele processo para declarar o produto certificado. O resultado não conforme precisa ser tratado antes da decisão de certificação.
O fluxo geral é:
- o laboratório emite o relatório com os resultados;
- o OCP analisa o relatório e formaliza a não conformidade;
- o solicitante investiga a causa;
- o fabricante define e implementa as ações corretivas;
- o solicitante apresenta evidências ao OCP;
- o OCP avalia a eficácia do tratamento;
- o OCP decide se são necessários reensaio, nova auditoria ou análise documental;
- a avaliação segue para decisão somente quando os requisitos forem demonstrados.
O RGCP estabelece, como regra geral da avaliação inicial, prazo máximo de 60 dias corridos para envio da evidência da implementação das ações corretivas. Novos prazos podem ser formalmente solicitados, justificados e avaliados pelo OCP. O RAC específico pode estabelecer condições adicionais.
Para compreender a avaliação formal, consulte a página de certificação INMETRO de produtos.
No Modelo 5, pode haver novo ensaio ou nova auditoria
O Modelo 5 combina avaliação do produto e auditoria do Sistema de Gestão da Qualidade da unidade fabril. Uma reprovação pode decorrer da configuração da amostra, de componente crítico, de processo produtivo ou de controle de qualidade.
Após o fabricante apresentar a correção, o OCP avalia quais evidências são necessárias. Conforme a natureza da não conformidade, podem ser exigidos:
- novo ensaio do requisito afetado;
- repetição de um conjunto de ensaios relacionado;
- nova coleta de amostra;
- análise documental complementar;
- nova auditoria ou verificação do processo produtivo.
O OCP não deve indicar a solução de projeto que o fabricante deve adotar. Sua função é avaliar se a ação proposta pelo solicitante foi implementada e se restabelece o atendimento aos requisitos aplicáveis.
Reprovação em ensaio de manutenção
Na manutenção, já existe um certificado. O RGCP determina que o detentor:
- analise as causas da não conformidade;
- apresente o plano de ações corretivas no prazo regulamentar;
- implemente controles imediatos para impedir o envio ao mercado do modelo ou da família reprovada;
- evidencie a implementação das correções;
- permita a verificação por ensaio, auditoria ou análise documental, conforme decisão do OCP.
O RGCP prevê prazo de até 15 dias corridos para apresentação do plano e de até 60 dias corridos para evidenciar a implementação. O OCP pode avaliar solicitações formais e justificadas de novo prazo quando cabível.
Se o plano não for apresentado ou a não conformidade permanecer sem evidência de tratamento, o certificado pode ser suspenso. Em certificação por família, a suspensão se aplica aos modelos que compõem a família e pode alcançar outras famílias quando tecnicamente comprometidas. O descumprimento dos prazos ou a recusa em corrigir pode levar ao cancelamento.
Quando a não conformidade puder colocar em risco a saúde ou a segurança do usuário, o RGCP prevê suspensão independentemente dos prazos ordinários de tratamento.
Suspensão, cancelamento e atuação do Inmetro não são a mesma coisa
É importante separar três situações:
| Situação | Responsável principal | Efeito possível |
|---|---|---|
| Tratamento técnico da não conformidade | fornecedor e OCP, em seus papéis próprios | correção, nova evidência, reensaio ou nova auditoria |
| Situação do certificado | OCP, conforme RGCP e RAC | manutenção, suspensão ou cancelamento |
| Fiscalização e acompanhamento no mercado | Inmetro e órgãos delegados | notificação, penalidades e, em situações previstas, determinação de retirada do mercado |
O Inmetro pode determinar a retirada de produto do mercado quando identificar não conformidade sistêmica ou risco potencial à saúde, à segurança do consumidor ou ao meio ambiente. Não é correto afirmar que toda reprovação laboratorial leva automaticamente a recolhimento ou destruição.
Pré teste antes da avaliação formal
Uma empresa pode realizar ensaios preliminares internos ou contratar um laboratório independente antes de iniciar a avaliação formal. Esse pré teste pode revelar falhas de projeto, componentes ou construção antes da coleta oficial.
O pré teste, porém:
- não substitui automaticamente os ensaios da certificação;
- não transforma o produto em certificado;
- não garante resultado conforme na avaliação oficial;
- não dispensa a amostragem e o plano definidos para o processo;
- não vincula a decisão técnica do OCP.
A ABCP não desenvolve a solução de adequação do produto. Para preservar a imparcialidade, a definição de correções permanece com o fabricante, o solicitante e os profissionais independentes por eles contratados.
Erros comuns depois de um resultado não conforme
- modificar o produto e reenviar amostra sem registrar a alteração;
- corrigir apenas a unidade ensaiada, sem avaliar o processo produtivo;
- trocar componente crítico sem comunicar o OCP;
- tratar o relatório preliminar como certificado;
- enviar ao mercado produto de família sob controle ou suspensão;
- ignorar os prazos e as comunicações formais do processo;
- presumir que o reensaio será limitado apenas ao requisito reprovado.
Pode haver reensaio depois do tratamento da não conformidade, mas a extensão e as condições são definidas pelo OCP com base no RGCP e no RAC aplicável. Não existe direito automático a repetir somente o ponto reprovado.
A ABCP formaliza a não conformidade e avalia as evidências apresentadas. A análise da causa e a solução técnica são responsabilidades do fornecedor e dos profissionais independentes por ele contratados.
Não necessariamente. A avaliação deve considerar o processo, o modelo, a família e o alcance técnico da não conformidade. Se o resultado estiver ligado a produto já certificado ou a uma manutenção, as consequências podem alcançar o certificado vigente.
Na manutenção de certificação por família, o RGCP prevê que a suspensão se aplique aos modelos da família e possa ser estendida quando outros escopos estiverem tecnicamente comprometidos.
Não. Ele pode reduzir incertezas técnicas, mas não substitui a avaliação formal e não garante conformidade da amostra oficial.
Atualização normativa
O tratamento depende do RGCP, do RAC e da portaria vigentes para o produto. Consulte a relação oficial de produtos e serviços regulados antes de aplicar este fluxo a um caso concreto.
Certificar com a ABCP
A ABCP conduz a avaliação da conformidade e o tratamento formal das evidências dentro do escopo aplicável. Para contextualizar um resultado, envie a identificação do produto, a etapa da certificação e o relatório de ensaio correspondente.
Leia também
Conteúdo técnico e informativo, elaborado com base nas fontes oficiais citadas. Os requisitos aplicáveis dependem do produto, do regulamento vigente e da avaliação formal.