Auditoria de Fábrica para Certificação Modelo 5 INMETRO: Como Funciona e o Que é Avaliado
Guia institucional sobre a auditoria de fábrica no Modelo 5 de certificação do RGCP (Portaria INMETRO nº 200/2021). Auditoria inicial, escopo do Sistema de Gestão da Qualidade, equivalência com ABNT NBR ISO 9001, periodicidade de manutenção (12 meses) e tratamento de não conformidades.
O lugar da auditoria de fábrica no Modelo 5
O Modelo 5 de certificação, definido no Regulamento Geral de Certificação de Produtos (RGCP) aprovado pela Portaria INMETRO nº 200/2021, é o modelo mais usado em produtos com risco relevante à segurança ou ao consumidor. Sua característica central é a combinação de duas linhas de evidência:
- Avaliação do produto — ensaios em amostra representativa em laboratório qualificado;
- Avaliação do processo produtivo — auditoria do Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) da fábrica.
A auditoria de fábrica não é mero detalhe burocrático: é peça central que dá ao certificado o seu valor regulatório, ao demonstrar que o resultado dos ensaios pode ser sustentado pela produção em larga escala — e não apenas pela amostra avaliada na ocasião.
Estrutura do Modelo 5: avaliação inicial + manutenção
Conforme o RGCP, o Modelo 5 estrutura-se em duas grandes fases:
Avaliação inicial
Inclui:
- Ensaios de tipo em amostra recolhida no fabricante;
- Auditoria inicial do Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ);
- Avaliação do processo produtivo, incluindo controle dos pontos críticos de fabricação;
- Decisão técnica do OCP sobre a emissão do certificado.
Manutenção da certificação
A vigência depende da manutenção das condições que sustentaram a emissão. Conforme o RGCP, a avaliação de manutenção do Modelo 5 deve ocorrer a cada 12 meses, alternando coleta de amostras na fábrica e no comércio para a continuidade da avaliação da conformidade e auditoria do SGQ.
O que é o Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ)
O Sistema de Gestão da Qualidade é o conjunto estruturado de políticas, procedimentos, registros e controles operacionais que a fábrica mantém para assegurar a conformidade contínua do produto com os requisitos técnicos. Em termos práticos, um SGQ típico compreende:
- Política e objetivos da qualidade;
- Estrutura organizacional com responsáveis pela qualidade definidos;
- Procedimentos documentados de controle de produção;
- Controle de matérias-primas e componentes críticos;
- Controle de processo com pontos de verificação;
- Inspeção de produto final e amostragem para liberação;
- Controle de não conformidades e ações corretivas;
- Rastreabilidade de lotes e identificação;
- Calibração dos instrumentos de medição usados na produção;
- Controle de modificações em projeto, fornecedores e processos;
- Treinamento e qualificação de pessoal.
Equivalência com a ABNT NBR ISO 9001 e normas setoriais
O RGCP estabelece que normas de Sistema de Gestão da Qualidade similares à ISO 9001 — incluindo normas setoriais para produtos da saúde (ISO 13485), automotivo (IATF 16949), entre outras — devem ser consideradas em condições equivalentes à ISO 9001 ou ABNT NBR ISO 9001 para todas as condições previstas no RGCP relativas à auditoria do SGQ.
Em termos práticos: fabricantes já certificados em normas setoriais de SGQ podem aproveitar essa estrutura na auditoria do Modelo 5, dentro dos critérios definidos pelo RGCP e pelo OCP. A auditoria do Modelo 5 não pretende duplicar trabalho já feito por outras certificações de SGQ — pretende verificar a aderência específica aos requisitos da certificação de produto em questão.
Auditoria inicial: o que é avaliado
Em uma auditoria inicial típica, os auditores do OCP avaliam:
| Área | Foco da avaliação |
|---|---|
| Documentação do SGQ | Estrutura, atualização, controle de versões, distribuição |
| Controle de matérias-primas | Especificação, recebimento, inspeção, rastreabilidade |
| Processo produtivo | Pontos críticos, instruções de trabalho, registros de produção |
| Inspeção de produto final | Critérios, amostragem, registros, decisão de liberação |
| Calibração | Plano, frequência, evidências, calibradores acreditados |
| Não conformidades | Identificação, segregação, tratamento, ações corretivas |
| Rastreabilidade | Identificação de lotes, número de série, registros |
| Modificações | Procedimento de aprovação, comunicação ao OCP |
| Treinamento | Qualificação de operadores em pontos críticos |
| Auditorias internas | Periodicidade, escopo, evidências, ações decorrentes |
Os auditores trabalham com base em evidências objetivas: documentos, registros, observação direta de processos, entrevistas com responsáveis. Conformidade significa, nesse contexto, que o que está documentado é o que efetivamente acontece na produção.
Tratamento de não conformidades em auditoria
Quando a auditoria identifica desvios, eles são classificados em categorias típicas:
- Não conformidade maior: ausência de requisito do regulamento, falha sistêmica que compromete a conformidade do produto, ou descumprimento que configura risco;
- Não conformidade menor: desvio pontual que não compromete a integridade do sistema, mas exige correção;
- Observação: oportunidade de melhoria que não chega a configurar não conformidade.
O fabricante recebe relatório com as não conformidades identificadas e tem prazo definido para apresentar plano de ação corretiva, com análise de causa raiz, ações implementadas, evidências e prazo. O OCP avalia o plano e, dependendo do resultado, pode:
- Aprovar o plano e prosseguir com a certificação;
- Solicitar evidências adicionais;
- Realizar nova auditoria de verificação;
- Não aprovar o plano e suspender o processo até resolução.
Auditoria de fábrica em fabricantes estrangeiros
Para importadores que comercializam produto fabricado no exterior, a auditoria do SGQ é realizada na planta do fabricante estrangeiro. As regras gerais são as mesmas, com adaptações operacionais:
- Logística de deslocamento dos auditores ao país de origem;
- Tradução de documentos para o português ou inglês, conforme prática consolidada;
- Consideração de certificações de SGQ já existentes no país de origem (ISO 9001, IATF 16949, ISO 13485) como base sob o RGCP;
- Coordenação com possíveis auditorias de outros mercados regulatórios.
O importador é o titular do processo de certificação no Brasil e responde pela contratação da auditoria, pela apresentação do dossiê e pelo cumprimento das ações corretivas — mesmo quando a fábrica é estrangeira. Para entender o impacto na importação, consulte o guia institucional sobre anuência INMETRO no Siscomex.
Como se preparar para a auditoria
Empresas que se preparam adequadamente para a auditoria reduzem o risco de não conformidades. Boas práticas incluem:
- Manter o SGQ documentado e atualizado, com versões controladas;
- Realizar auditorias internas periódicas com cobertura completa do SGQ;
- Manter registros de produção organizados e acessíveis;
- Treinar a equipe sobre o que será avaliado;
- Garantir que os relatórios de ensaio e a documentação técnica estejam disponíveis;
- Verificar a calibração dos instrumentos críticos antes da auditoria;
- Reservar tempo do pessoal-chave (gestor da qualidade, responsáveis técnicos) para acompanhar a auditoria.
Fonte oficial: consulte a relação de produtos e serviços regulados pelo Inmetro e a portaria aplicável ao objeto.
Perguntas frequentes
Conteúdo elaborado pela área técnica da ABCP com base na Portaria INMETRO nº 200/2021 (RGCP), na ABNT NBR ISO/IEC 17065, na ABNT NBR ISO 9001 e em RACs setoriais relevantes. Material de caráter institucional informativo, sem conotação consultiva.
Iniciar avaliação da conformidade do seu produto
A ABCP Certificadora é um Organismo de Certificação de Produtos acreditado pela Cgcre/INMETRO sob o nº OCP 161 e designado pela ANATEL. Se você é fabricante ou importador, fale com a equipe técnica da ABCP para iniciar o processo de avaliação da conformidade.