Sistema de ensaio SAR com smartphone, phantom de cabeça e sonda de radiofrequência
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Ensaio de SAR: Como a Taxa de Absorção Específica É Medida e os Limites ICNIRP de 2 W/kg

Guia institucional sobre a Taxa de Absorção Específica (Specific Absorption Rate — SAR) no contexto da homologação ANATEL. Conceito, limite de 2 W/kg para cabeça e tronco em equipamentos portáteis usados a menos de 20 cm do corpo, base nas diretrizes ICNIRP e o Ato ANATEL nº 1.630/2021 que organiza os requisitos vigentes.

Guia Completo 10 min OCD ANATEL

O que é SAR (Specific Absorption Rate)

A Taxa de Absorção Específica, também chamada de Specific Absorption Rate (SAR), é uma grandeza física que mede a taxa pela qual energia eletromagnética é absorvida pelo corpo humano quando exposto a um campo de radiofrequência. É expressa em watts por quilograma (W/kg), representando a potência absorvida por unidade de massa de tecido.

Em termos práticos, o SAR é a métrica adotada internacionalmente para limitar a exposição humana à energia eletromagnética emitida por equipamentos como telefones celulares, smartphones, tablets, smartwatches e demais dispositivos com radiocomunicação operando próximos ao corpo. A medida visa proteger contra efeitos térmicos da radiofrequência, que são os efeitos biológicos consensuais e bem documentados em frequências próximas das usadas em telecomunicações.

Quando o ensaio de SAR é exigido

O ensaio de SAR é exigido para equipamentos portáteis utilizados a menos de 20 cm do corpo humano. A regra cobre, em particular:

  • Telefones celulares e smartphones — os requisitos completos do produto (SAR, eSIM, IMEI, bandas) estão no guia de smartphones na ANATEL;
  • Smartwatches e wearables com transmissão de RF próxima ao corpo — tratados no guia de SAR e eSIM em smartwatches;
  • Tablets e e-readers com capacidade de conexão móvel ou Wi-Fi;
  • Modems portáteis e hotspots Wi-Fi/4G/5G com uso próximo ao corpo;
  • Fones de ouvido e earbuds Bluetooth em proximidade da cabeça;
  • Dispositivos médicos vestíveis com radiocomunicação, conforme regramento aplicável.

Equipamentos típicos de infraestrutura (estações rádio-base, roteadores fixos a distância maior do usuário, antenas externas) não exigem ensaio SAR no formato aplicável a equipamentos portáteis — seguem regulamentação distinta de exposição humana no entorno de estações fixas.

Limite de exposição: 2 W/kg para cabeça e tronco

O limite SAR adotado pela ANATEL para a população geral, em equipamentos portáteis usados a menos de 20 cm do corpo, é de 2 W/kg para a região da cabeça e tronco. O limite é referenciado nas diretrizes da ICNIRP — International Commission on Non-Ionizing Radiation Protection, organização reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como referência técnica internacional para limites de exposição não ionizante.

Aspectos técnicos importantes:

  • O limite de 2 W/kg deve ser avaliado como o pico médio dos valores SAR medidos em qualquer 10 gramas contíguos de tecido;
  • Picos pontuais acima de 2 W/kg em pontos específicos não indicam, por si só, não conformidade — a referência é o maior valor médio em 10 gramas contíguos;
  • Há limites diferentes (mais altos) para a região de extremidades (mãos, pés, antebraços) onde a tolerância térmica é maior;
  • O regramento prevê limites distintos para exposição ocupacional (pessoas profissionalmente expostas, em ambiente controlado) e exposição da população geral.

Limites ICNIRP: da versão 2010 à versão 2020

A ANATEL adota a versão mais atualizada das Diretrizes para Limitação da Exposição Humana a Campos Eletromagnéticos publicadas pela ICNIRP. A evolução normativa dessas diretrizes é relevante:

Versão ICNIRPFaixas cobertasStatus no Brasil
ICNIRP 1998Até 300 GHz (versão antiga)Histórica, substituída
ICNIRP 2010Até 10 GHzReferência anterior
ICNIRP 2020Até 300 GHz (incluindo mmWave 5G)Versão atualizada adotada por ANATEL

A atualização para a ICNIRP 2020 foi importante porque ampliou explicitamente a cobertura para frequências de ondas milimétricas (mmWave), relevantes para o 5G nas faixas próximas a 26 GHz e além. Para detalhes sobre as faixas 5G no Brasil, consulte o guia institucional 5G no Brasil — Homologação ANATEL.

Como o ensaio de SAR é executado

O ensaio de SAR é realizado em laboratório qualificado pela ANATEL, com instrumentação específica chamada SAR system. Em linhas gerais, o procedimento envolve:

  1. Phantom: simulador antropomórfico (cabeça e/ou tronco) preenchido com líquido de propriedades dielétricas calibradas para emular o tecido humano;
  2. Posicionamento do equipamento de teste em configurações que reproduzem o uso típico (encostado na orelha, próximo ao tronco, etc.);
  3. Sonda de campo elétrico que varre o volume do phantom medindo a intensidade do campo;
  4. Cálculo do SAR a partir do campo medido e das propriedades do tecido simulado;
  5. Identificação do pico médio em 10 gramas contíguos de tecido;
  6. Repetição em diferentes faixas de operação, modos de transmissão e configurações de uso.

O relatório final apresenta os valores de SAR medidos em cada configuração avaliada, com identificação clara do pior caso (maior valor médio). Esses valores precisam ficar abaixo do limite normativo aplicável.

SAR no dossiê técnico de homologação ANATEL

O relatório de SAR é parte do dossiê técnico submetido ao OCD em homologações que envolvem equipamentos portáteis. Em conjunto com:

  • Relatório de RF (potência, máscara, harmônicos);
  • Relatório de EMC (Compatibilidade Eletromagnética);
  • Documentação de segurança elétrica;
  • Demais elementos previstos no ato de certificação aplicável;

o relatório SAR fornece evidência objetiva de que o equipamento atende aos limites regulamentares de exposição humana a RF. O OCD avalia o conjunto e emite o Certificado de Conformidade Técnica que subsidia a homologação.

Aceitação de relatórios estrangeiros
Relatórios SAR emitidos por laboratórios estrangeiros podem ser aceitos no processo brasileiro quando há acordo de reconhecimento mútuo aplicável e quando as normas aplicadas no relatório (procedimentos IEC 62209 e equivalentes) são compatíveis com as exigidas pela regulamentação brasileira. A análise é feita pelo OCD durante o processo de avaliação.

Como o consumidor consulta o SAR de seu equipamento

A ANATEL mantém base pública com os valores de SAR medidos para os modelos homologados. O consumidor pode consultar diretamente:

  • No portal de Consulta de Produtos da ANATEL — pelo modelo ou número de homologação;
  • No próprio equipamento, em “Configurações > Sobre > Informações regulatórias”, quando aplicável;
  • No manual do produto, geralmente em seção dedicada a “Informações de exposição a RF” ou similar.

Conforme estudos publicados pela ANATEL, os valores de SAR medidos para celulares homologados pela agência apresentam, em média, valores bem abaixo do limite de 2 W/kg estabelecido pela ICNIRP, independentemente da tecnologia usada (3G, 4G, 5G).

Fonte oficial: consulte os requisitos técnicos para certificação publicados pela ANATEL.

Perguntas frequentes

SAR é obrigatório para todo equipamento com radiocomunicação?
Não. O ensaio SAR é exigido especificamente para equipamentos portáteis usados a menos de 20 cm do corpo humano. Equipamentos de infraestrutura (estações base, roteadores fixos a distância maior, antenas externas) seguem regulamentações distintas de exposição humana a campos eletromagnéticos no entorno, com limites e procedimentos específicos.
5G mmWave (26 GHz) tem limite SAR diferente?
A ICNIRP 2020 ampliou as diretrizes para incluir frequências até 300 GHz, com regras adequadas a mmWave. Em ondas milimétricas, a profundidade de penetração no tecido é menor — daí a relevância de métricas adicionais, como a incident power density na superfície da pele. A regulamentação brasileira segue essas diretrizes nos atos vigentes da ANATEL.
Smartwatch precisa de ensaio SAR?
Smartwatches e wearables com radiocomunicação que operam a menos de 20 cm do corpo (no pulso, no peito, etc.) podem ter exigência de avaliação de exposição a RF, sob regramento adaptado às particularidades da tipologia (potência, distância, modo de uso). Os requisitos do produto estão no guia de SAR e eSIM em smartwatches.
O SAR de um celular muda conforme o uso?
O valor “absoluto” de SAR de um equipamento é determinado em condições padronizadas de teste. Na operação real, o equipamento ajusta sua potência conforme o cenário (proximidade da estação base, qualidade do sinal, modo de transmissão), de modo que o SAR efetivo durante o uso costuma ser bem menor que o valor de pico medido no ensaio. O valor declarado é o pior caso avaliado.
Onde encontro o valor de SAR do meu celular?
Em smartphones, tipicamente em “Configurações > Sobre > Informações regulatórias”. No manual do produto, geralmente em seção dedicada à exposição a RF. No portal de Consulta de Produtos da ANATEL, pelo modelo ou número de homologação. O valor é apresentado em W/kg, com indicação separada para cabeça e tronco.
Sobre a atuação da ABCP
A ABCP é Organismo de Certificação Designado pela ANATEL e Organismo de Certificação de Produtos acreditado pela CGCRE (acreditação OCP-0161). A ABCP não realiza ensaios laboratoriais — incluindo ensaios de SAR, que são privativos de laboratórios qualificados pela ANATEL — , não presta consultoria ou assessoria a fabricantes/importadores e não elabora a documentação técnica dos solicitantes — atuação vedada pela cláusula 4.2 da ABNT NBR ISO/IEC 17065. A ABCP avalia os relatórios de SAR apresentados pelo solicitante como parte do dossiê técnico.
Equipe Técnica ABCP Organismo de Certificação Designado pela ANATEL | OCP CGCRE 161

Conteúdo elaborado pela área técnica da ABCP com base na Resolução ANATEL nº 700/2018, no Ato ANATEL nº 1.630/2021, em diretrizes ICNIRP (versões 2010 e 2020) e em referenciais técnicos da OMS sobre exposição humana a campos eletromagnéticos. Material de caráter institucional informativo, sem conotação consultiva nem orientação de saúde.

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A ABCP Certificadora é um Organismo de Certificação de Produtos acreditado pela Cgcre/INMETRO sob o nº OCP 161 e designado pela ANATEL. Se você é fabricante ou importador, fale com a equipe técnica da ABCP para iniciar o processo de avaliação da conformidade.